"Para perder desse jeito é melhor perder com os nossos meninos", comentários dos cronistas e torcedores após a derrota do Sergipe por 2 a 0 no Campeonato do Nordeste. Engraçado, no início do certame a torcida exigia contratações. Com o passar do torneio e os maus resultados, a torcida e os cronistas praticamente exigiram contratações, foram feitas e agora o comentário é o de cima.
Quando Sergipe entrou na competição entrou em uma situação diferente. Sua administração está sub judice; não recebeu a primeira parcela da Liga do Nordeste; sem contar que tinham que pagar as dívidas que apareciam. No começo a diretoria até avisou: "não podemos enganar o torcedor, não temos time nem condições de montar um elenco forte".
Mas as derrotas apareceram e o lado torcedor invadiu cronistas e dirigentes e o clube que, no sacrifício, contratou uma carrada de jogadores.
Quando fiz o primeiro semestre de administração a primeira lição que aprendi foi: "toda prioridade exige sacrifícios" e o técnico da seleção Brasileira, Mano Menezes, me ensinou quando assumiu o Corinthians: "a situação aqui vai melhorar se torcedor torcer, comentarista comentar, técnico treinar, jogador jogar e diretoria dirigir".
O Sergipe tinha uma prioridade: pagar as dívidas; e um sacrifício com a decisão judicial: futebol profissional.
Mas os dirigentes não suportaram a pressão da torcida que querem resultados imediatos e contrataram uma carrada de jogadores. Lembro que de uma só vez o Sergipe apresentou seis jogadores. Mas as coisas não funcionam de um dia para outro no futebol e os resultados continuaram negativos, mesmo o time jogando bem, dando margens para os comentários acima. A diretoria não seguiu o plano original e agora tem que ouvir os comentários dos cronistas e torcedores por atender seus pedidos.
É claro que os dirigentes têm que ouvir os torcedores e estar ligados nas resenhas esportivas. Mas suas decisões têm que estar pautadas no campo administrativo Na hora de contratar, pagar jogadores ele não pode invocar o lado torcedor, tem que olhar o bolso, e as prioridades do momento.
O Corinthians fez isso. Claro que a realidade lá é outra. Mas no ano que caiu de divisão o time não podia contratar. E não contratou e caiu. No ano que disputou a série B usou a queda como meio para angariar fundos. Voltou e continuou seus investimentos. Lá, torcedor faz a festa; dirigente dirige; técnico treina e jogadores jogam.
Parece que funciona


A tarde de quinta-feira, 5, para os jogadores do Sergipe seria de recreação visando a partida contra o Vitória no dia seguinte, partida da 12ª rodada do Campeonato do Nordeste. No início dos trabalhos os jogadores não tinham conhecimento que a Liga, a pedido do Vitória, mudou o dia do confronto para a próxima sexta-feira, 13.

